Marcelo no Vaticano: diplomacia presidencial em fim de mandato
Enquanto o país ainda conta os estragos da tempestade Kristin e as famílias enlutadas choram os seus mortos, Marcelo Rebelo de Sousa encontra-se esta segunda-feira com o Papa Leão XIV no Vaticano. Uma visita que acontece a menos de um mês do fim do seu mandato e em plena campanha eleitoral para as presidenciais.
O Presidente da República chegou a Roma no domingo, jantou com o seu homólogo italiano Sergio Mattarella e hoje cumpre agenda no Estado do Vaticano. Primeiro, às 10h25 locais, visita o túmulo do Papa Francisco na Basílica de Santa Maria Maior. Depois, pelas 11h30, tem audiência com o Papa Leão XIV.
Convite para Fátima em 2027
Marcelo confirmou que vai convidar o Papa a visitar Portugal em 2027, aproveitando os 110 anos de Fátima. "Há uma boa razão para incluir no programa de visitas Fátima e, portanto, Portugal", justificou aos jornalistas.
Segundo a Presidência da República, o encontro dará "especial relevância à situação de calamidade vivida em Portugal" e à carta que o Papa enviou há dois dias aos portugueses sobre os efeitos da tempestade Kristin. Na mensagem, enviada ao bispo de Leiria-Fátima, José Ornelas, o Papa manifestou "o seu pesar pelas pessoas que perderam a vida".
Tradição presidencial no fim de mandato
Esta é a sexta vez que Marcelo se desloca como chefe de Estado ao Vaticano. Uma tradição que mantém desde o início dos seus dois mandatos, visitando primeiro o Vaticano e depois Espanha. Uma escolha que justifica com argumentos históricos: a Santa Sé foi a primeira entidade a reconhecer Portugal como Estado independente em 1179.
"Comecei pelo Vaticano porque nós devemos a independência de Portugal a um gesto do Papa", reiterou no domingo. "Depois vou a Espanha porque precisamente saímos da Espanha, e depois tivemos problemas durante muitos séculos para afirmar e reforçar a nossa independência."
Diplomacia em tempo de campanha
A visita acontece durante a campanha para a segunda volta das presidenciais, que se realiza domingo entre António José Seguro e André Ventura. Inicialmente prevista para dezembro, foi adiada devido à operação de Marcelo a uma hérnia abdominal.
O Presidente católico já esteve com três Papas durante o seu mandato: Francisco, com quem desenvolveu uma relação próxima, assistiu ao seu funeral em abril de 2025, e agora encontra-se com Leão XIV, eleito em maio do ano passado.
Sobre o actual Papa, Marcelo considerou-o "um continuador do Papa Francisco", alguém com "preocupação com a paz, muito grande, abertura ecuménica, abertura ao mundo". Durante a entronização de Leão XIV, disse-lhe: "Portugal está consigo e espera por si".
Enquanto isso, cá em baixo, as famílias portuguesas continuam a contar os prejuízos da tempestade e a reconstruir as suas vidas.