Passear cães quebra pulsos e custa milhões ao Estado
As trelas dos cães estão a partir os pulsos de quem mais precisa de proteção. Um estudo publicado na revista Injury Prevention estima que as lesões nas mãos e pulsos de donos de cães custem mais de 23 milhões de libras por ano ao Serviço Nacional de Saúde (NHS) em Inglaterra. As vítimas principais são as mulheres e as pessoas com mais de 65 anos, arrastadas pela força dos animais durante os passeios.
Porque é que as mulheres e os idosos são as principais vítimas?
Os números não mentem e revelam uma injustiça clara. De um total de 491.373 pacientes analisados em cinco estudos, quase três quartos (364.904) eram do sexo feminino. Mais de 31% tinham mais de 65 anos. As mulheres idosas pagam a conta mais alta. A osteoporose torna os ossos mais frágeis, os problemas de equilíbrio facilitam as quedas e a visão reduzida agrava o perigo. O Estado gasta milhões para reparar ossos partidos, mas não investe na prevenção para os grupos mais vulneráveis.
Como acontecem estas lesões?
Ser puxado pela trela, com ou sem queda, é a causa direta de mais de dois terços dos incidentes (68,5%). Tropeçar na trela ou no cão representa 20% dos acidentes, e ficar enredado na trela soma os restantes casos. No total, contabilizaram-se 110.722 fraturas e lesões nos tecidos moles das mãos e pulsos. As fraturas dos dedos lideram a lista (31%), seguidas pelas fraturas do pulso (25%).
Qual é o custo real para a saúde pública?
Os 23 milhões de libras estimados pelos investigadores cobrem apenas cirurgias e gessos no NHS. Este valor não inclui o custo económico das pessoas que ficam impedidas de trabalhar, nem o aumento da necessidade de cuidados de assistência. Um problema de saúde pública que o sistema paga, mas que as autoridades parecem ignorar quando se trata de proteger quem passeia os animais.
O que podem fazer os donos para se protegerem?
Os investigadores sugerem medidas simples de prevenção. Segurar a trela na palma da mão, em vez de a envolver nos dedos ou no pulso, pode evitar fracturas graves. Evitar trelas retrácteis, que provocam puxões súbitos no fim do curso, também reduz o risco. O treino de obediência canina surge como outra ferramenta útil. Contudo, a responsabilidade não pode recair apenas sobre o indivíduo. É preciso consciencialização e políticas públicas que alertem para estes riscos.
Quais são as limitações do estudo?
Quatro dos cinco estudos analisados foram realizados nos Estados Unidos e três usaram a mesma base de dados. Não foram avaliadas as raças dos cães, os tipos de trela ou os ambientes de passeio. Apesar destas lacunas, a mensagem é clara: um número significativo de lesões pode ser atribuído à posse de cães, especialmente na população idosa e feminina.
As trelas retrácteis são perigosas?
Sim, segundo os investigadores. Estes dispositivos permitem que o cão se afaste bastante do dono, mas quando o animal chega ao limite da trela, a força de tração aumenta de forma súbita. Este puxão inesperado é suficiente para partir o pulso ou arrancar os dedos de quem segura a trela, sobretudo se a pessoa já tiver ossos mais frágeis.
Os custos de 23 milhões de libras incluem tudo?
Não. O valor refere-se apenas aos custos diretos com cirurgia e tratamento de pulsos partidos no NHS em Inglaterra. Ficam de fora os salários perdidos por quem não pode trabalhar e os custos adicionais com cuidados de saúde e assistência a idosos feridos. O impacto social e económico real é muito superior.