Enxaqueca não é normal. E há rastreio gratuito até novembro
Estima-se que uma em cada cinco mulheres sofra de enxaqueca, uma condição quatro vezes mais comum no sexo feminino do que nos homens. Agora, já pode saber se é o seu caso, com um rastreio gratuito que decorre até ao final de novembro.
Viver com dores de cabeça não é normal. Muito menos quando se trata de enxaqueca, uma condição que atinge muito mais as mulheres do que os homens. Para ajudar a distinguir as cefaleias e perceber se sofre de algo mais forte, está em curso um rastreio gratuito. Se for o caso, pode ser reencaminhada para especialistas.
Onde e como fazer o rastreio?
A campanha, vocacionada para adultos com historial ou sintomatologia compatível, decorre até 30 de novembro, por todo o país e nas farmácias Holon. Através da realização de rastreios e avaliação clínica, a campanha pretende contribuir para a identificação de situações que necessitem de acompanhamento médico e encaminhamento especializado
, avança o comunicado enviado às redações.
Porque é que a enxaqueca é desvalorizada?
A enxaqueca continua a ser frequentemente desvalorizada, apesar do enorme impacto que tem na vida pessoal, familiar e profissional de milhares de portugueses
, afirma Madalena Plácido, presidente da MiGRA Portugal, a associação portuguesa de doentes com enxaqueca e cefaleias, que apoia a campanha. Ela lamenta o nível de resignação à doença
e o facto de muitos acreditarem que 'é normal' viver com crises frequentes ou porque já têm casos semelhantes na família
. No entanto, ter mais de quatro dias por mês com enxaqueca não deve ser banalizado e pode justificar avaliação médica e terapêutica preventiva
, alerta a propósito da campanha 4 é um sinal. Mais que 4 não é normal
.
O papel das farmácias e dos farmacêuticos
O rastreio, que decorre nas farmácias e em parceria com a farmacêutica AbbVie, pretende trazer acesso à informação e ao acompanhamento adequado
. O farmacêutico tem a capacidade de envolver ativamente o utente no tratamento, sensibilizando-o para o preenchimento correto do calendário de registo de crises, salientando a importância deste instrumento no apoio ao diagnóstico e na monitorização da eficácia terapêutica ou da sua eventual ausência
, considera Nélia Pereira, gestora de Departamento Projetos e Serviços das Farmácias Holon, citada em comunicado.
Os números que mostram a gravidade da doença
De acordo com os dados fornecidos pela MiGRA Portugal, estima-se que as enxaquecas atinjam uma em cada cinco mulheres. 93% das pessoas (mais de nove em cada dez) sente-se incompreendida, e 74% afirma sentir falta de compreensão até por parte de profissionais de saúde.
A doença tem uma prevalência quatro vezes maior nas mulheres do que nos homens. Quase oito em cada dez doentes (79%) tem crises com duração superior a quatro dias por mês, 14% vivem mais de metade do mês com dor e 5% sofrem-na diariamente. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a enxaqueca é a segunda principal causa de incapacidade a nível global e a principal causa de incapacidade entre mulheres com menos de 50 anos. Apesar da sua elevada prevalência e impacto significativo na qualidade de vida, continua a existir uma baixa taxa de diagnóstico e acompanhamento adequado.
Perguntas frequentes sobre o rastreio
Quem pode fazer o rastreio?
Adultos com historial ou sintomatologia compatível com enxaqueca.
Onde se faz o rastreio?
Nas farmácias Holon, em todo o país.
Até quando decorre o rastreio?
Até 30 de novembro.
O rastreio é mesmo gratuito?
Sim, é completamente gratuito.