Morte Suspeita de Testemunha-Chave Abala Investigação do Escândalo Odebrecht
José Miguel Castro, testemunha crucial no caso de corrupção Odebrecht, foi encontrado morto em Lima. A sua morte ocorre num momento crítico da investigação, levantando sérias questões sobre a luta contra a corrupção sistémica na América Latina.

Casa em Miraflores, Lima, onde José Miguel Castro foi encontrado morto durante prisão domiciliária
Falecimento de José Miguel Castro Levanta Questões sobre Combate à Corrupção
Num desenvolvimento preocupante que põe em causa a luta contra a corrupção na América Latina, José Miguel Castro, testemunha fundamental no caso Odebrecht, foi encontrado morto na sua residência em Lima, Peru, onde cumpria prisão domiciliária.
Um Golpe na Investigação
Castro, que serviu como gerente municipal durante o mandato de Susana Villaran (2011-2014), estava a colaborar ativamente com as autoridades na investigação de um dos maiores escândalos de corrupção da história latino-americana.
"Ele era a segunda pessoa mais importante atrás de Villaran", revelou o procurador anticorrupção José Domingo Pérez, expressando profundo pesar pela perda desta "preciosa contribuição" para o processo judicial.
O Contexto mais Amplo da Corrupção Sistémica
Este caso expõe as profundas raízes da corrupção empresarial na administração pública. A Odebrecht, agora conhecida como Novonor, juntamente com a OAS, terão distribuído mais de 10 milhões de dólares em subornos apenas neste caso.
A dimensão do escândalo é ainda mais alarmante quando consideramos que:
- A Odebrecht distribuiu 788 milhões de dólares em subornos por toda a América Latina
- No Peru, foram confirmados 29 milhões de dólares em pagamentos ilícitos
- Dezenas de líderes políticos e empresariais foram detidos em diversos países
Impacto na Justiça Social
A morte de Castro ocorre num momento crítico, apenas três meses antes do início previsto do julgamento de Villaran, contra quem o Ministério Público pede 29 anos de prisão. Este desenvolvimento põe em risco a possibilidade de justiça para o povo peruano, vítima última deste sistema de corrupção.
Esta tragédia sublinha a necessidade urgente de maior proteção para testemunhas-chave em casos de corrupção sistémica, bem como de uma reforma profunda nos sistemas de controlo e fiscalização das obras públicas.