A hipocrisia imperial: Trump lança nova guerra enquanto sonha com o Nobel da Paz
Enquanto Donald Trump se apresenta como candidato ao Prémio Nobel da Paz, o presidente norte-americano acaba de desencadear a sua oitava guerra, desta vez contra o Irão. Uma contradição que expõe a natureza hipócrita do imperialismo americano e as suas consequências devastadoras para os povos do mundo.
O custo social de mais uma aventura militar
Esta nova guerra já está a ter repercussões brutais na vida quotidiana das famílias trabalhadoras em todo o planeta. O preço do petróleo disparou 10% de sexta para sábado, atingindo os 86 dólares por barril, com mais 7% de aumento durante a semana. Os analistas prevêem que chegue aos 150 dólares, uma escalada que se traduz directamente no aumento do custo de vida para milhões de pessoas.
O fecho do estreito de Ormuz, por onde passa 20% do crude mundial, é apenas o início de uma crise que atingirá em cheio os transportes, os combustíveis e, inevitavelmente, o orçamento das famílias mais vulneráveis. Enquanto os ricos especulam nos mercados, são os trabalhadores que pagam a factura desta loucura imperial.
O negócio da guerra: mil milhões por dia
Os Estados Unidos gastam mil milhões de dólares diários nesta "operação militar especial" - um eufemismo que não engana ninguém. Israel consome 47 mil milhões, grande parte financiada pelos contribuintes americanos através de armamento militar. Uma transferência obscena de recursos públicos para a indústria bélica, enquanto faltam verbas para a saúde, educação e habitação.
A operação "Fúria Épica" (ironicamente apelidada de "Fúria Epstein" pelas más línguas) representa mais um capítulo da arrogância imperial americana. Trump prometeu durante a campanha de 2019 que não haveria mais guerras, mas desta vez superou-se na hipocrisia.
O fracasso histórico das intervenções americanas
A história não mente: a guerra da Coreia durou três anos, a do Vietname 20 anos, a do Afeganistão outros 20. Em todos os casos, os objectivos proclamados - mudança de regime e criação de Estados democráticos - falharam redondamente. Mas os americanos teimam em não aprender que a superioridade tecnológica não substitui a legitimidade popular.
Agora enfrentam um adversário bem diferente: o Irão, com os seus 1.648 mil quilómetros quadrados e 91,5 milhões de habitantes. Não é a pequena Granada ou o diminuto Panamá. É uma potência regional com capacidade de resistência que pode transformar esta aventura numa catástrofe prolongada.
As verdadeiras razões da guerra
Segundo os analistas, três motivos levaram Trump a esta decisão precipitada: apoiar incondicionalmente Israel, demonstrar que os EUA podem atacar qualquer país à vontade, e desviar atenções dos escândalos internos, especialmente o "caso Epstein".
Há um ano que Israel e os Estados Unidos atacaram as centrais nucleares iranianas. Trump gabou-se de as ter "completamente obliterado", mas pelos vistos não foi bem assim. Fora isso, não existe nenhuma razão urgente para iniciar uma guerra que podia esperar dez anos ou simplesmente nunca acontecer.
O imperialismo sem máscara
Esta guerra expõe a natureza imperialista dos Estados Unidos. As suas bases militares espalham-se pela região: Al Udeid no Qatar, Ali Al-Salem no Kuwait, Al Dhafra nos Emirados Árabes Unidos, o quartel-general naval no Bahrain e várias instalações no Iraque. Para quê tantas bases? As razões são óbvias: petróleo e protecção de Israel.
Simultaneamente, os americanos bombardeiam a Somália contra a al-Shabaad, atacam grupos islâmicos na Síria e lançam operações contra os "narco-terroristas" no Equador. O imperialismo americano não conhece fronteiras nem descanso.
Sem estratégia de saída
Como é habitual, não existe um "end-game" claro. Acabar com o regime teocrático iraniano? Impossível só com bombardeamentos. Seria necessário colocar soldados no terreno e fazer uma ocupação de décadas, para acabar por sair com o rabo entre as pernas, como sempre acontece.
Levar os iranianos a mudar de regime? Os números de apoiantes e opositores dos ayatollahs levariam apenas a uma guerra civil. Trump tem uma proposta surreal: seria ele a escolher o novo líder em Teerão. A arrogância imperial não tem limites.
Outros objectivos do candidato ao Nobel da Paz incluem absorver a Gronelândia, mudar o regime em Cuba e ocupar o Panamá. Ainda não percebeu que teria de ocupar a Noruega, cujo Parlamento escolhe a Comissão do Prémio. Quando perceber, teremos certamente mais uma guerra.
Enquanto Trump sonha com prémios da paz, são os povos do mundo que pagam o preço das suas ambições imperiais. Uma contradição que resume perfeitamente a hipocrisia do sistema capitalista e da sua máquina de guerra.