O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, trocou esta quinta-feira, 30 de outubro, os gabinetes de São Bento pela carteira da escola: foi dar uma aula de literacia financeira sobre poupança a cerca de 250 alunos do Ensino Secundário da Escola Dr. José Macedo Fragateiro, em Ovar. A iniciativa, criada em 2025 pelo Ministério da Educação em parceria com o Banco de Portugal, a CMVM e a ASF, mobiliza governantes e reguladores em escolas de todo o país.
Segundo o Sapo, a ação integra o programa “Educar para a Cidadania: Poupar, um Compromisso com o Futuro”, que põe membros do Governo e administradores das entidades de supervisão financeira a dar aulas em todos os ciclos de ensino, com metas de aprendizagem definidas para cada nível.
Quem ensina o quê e onde
Fernando Alexandre, ele próprio professor universitário de Economia, deu a aula das 9h00 em Ovar. As metas para o Secundário exigem que os alunos saibam comparar produtos financeiros e o risco associado a cada um.
Cláudia Sarrico, secretária de Estado do Ensino Superior, foi para a Escola Secundária Miguel Torga, em Queluz, onde cerca de 100 alunos do 3.º Ciclo abordaram a diversificação de poupanças e a proteção contra fraudes financeiras e digitais.
O secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, José Maria Brandão de Brito, esteve na Escola Secundária da Cidadela, em Cascais, e Cláudia Reis, responsável pelos Assuntos Fiscais, na Escola Secundária de Montemor-o-Novo.
Álvaro Santos Pereira, que durante anos lecionou Desenvolvimento Económico e Política Económica na Simon Fraser University, em Vancouver, regressou aos bancos da escola: foi ao fim da tarde, do Banco de Portugal para a Escola Secundária Diogo de Gouveia, em Beja.
Reguladores também à lousa
O presidente da ASF, Gabriel Bernardino, deslocou-se à Escola Básica e Secundária do Cadaval, e o vice-presidente Rui Baleiras ensinou na Escola Secundária Rainha D. Leonor, em Lisboa. Na CMVM, o presidente Luís Laginha de Sousa foi à Baixa da Banheira, na Moita, e a vice-presidente Inês Drumond à EB 2,3 de Alcanede, em Santarém.
As aulas seguem um programa à medida de cada ciclo. No 1.º Ciclo fala-se da importância da poupança e da diferença entre necessidades e desejos, rendimentos e despesas. No 2.º Ciclo, abordam-se formas de aplicação e remuneração da poupança e o planeamento a médio e longo prazo.
Literacia financeira obrigatória em todas as escolas
A literacia financeira tornou-se prioridade do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, que a tornou obrigatória em todos os anos de escolaridade na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento. O trabalho começou no Dia Mundial da Poupança de 2025 e estendeu-se ao longo do ano letivo.
Além da poupança, o ministério diz ter preparado e validado recursos sobre Orçamento Familiar e Fiscalidade, em parceria com a Autoridade Tributária, e sobre Sistemas e Produtos Financeiros e Ser Empreendedor, com a associação Junior Achievement.
Ensinar a poupar em plena crise do custo de vida
Para quem vive com ordenados apertados e rendas a subir, a ironia não escapa: quem governa pede aos miúdos que aprendam a poupar, enquanto as políticas de rendimentos mantêm apertado o bolso das famílias trabalhadoras. Ensinar a comparar produtos financeiros e a evitar fraudes é útil, sem dúvida. Mas a poupança exige o que a maioria das famílias portuguesas não tem sobrando no fim do mês: margem.
Enquanto isso, o ministro anda também a responder a outras frentes. O Expresso reportou que o PCP e o Bloco de Esquerda pediram a audição de Fernando Alexandre na comissão parlamentar de inquérito aos exames nacionais, juntamente com antigos ministros como João Costa, Tiago Brandão Rodrigues e Nuno Crato.
E na margem dos 50 anos da escola de Terras de Bouro, no distrito de Braga, o ministro reconheceu, como noticiou a Renascença, que “são claramente precisas mais medidas” para a habitação, admitindo existir “um problema grave de acesso à habitação em Portugal”. Sobre igualdade de oportunidades, o governante defendeu, citado pela RUM, que “não há igualdade de oportunidades sem exames nacionais”.
As aulas de hoje decorrem em escolas de Ovar, Queluz, Cascais, Montemor-o-Novo, Beja, Lisboa, Cadaval, Moita e Santarém, e o programa deverá continuar a ser alargado a outras áreas da literacia financeira e do empreendedorismo ao longo do ano letivo.
Perguntas frequentes
O que é a iniciativa “Educar para a Cidadania: Poupar, um Compromisso com o Futuro”?
É um programa criado em2025 pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação em parceria com o Banco de Portugal, a CMVM e a ASF, que leva governantes e reguladores a dar aulas de poupança nas escolas.
Quando é que a literacia financeira se tornou obrigatória nas escolas?
Os conteúdos passaram a ser obrigatórios em todos os anos de escolaridade na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, no âmbito da prioridade definida pelo atual ministério.
Quais são as escolas envolvidas na ação de 30 de outubro?
Escolas de Ovar, Queluz, Cascais, Montemor-o-Novo, Beja, Lisboa, Cadaval, Moita e Santarém recebem as aulas de governantes e responsáveis das entidades de supervisão financeira.
