Israel incita revolta no Irão sabendo que manifestantes serão massacrados
Numa revelação que expõe o cinismo das potências ocidentais, altos responsáveis israelitas admitiram aos diplomatas norte-americanos que os iranianos que saírem às ruas em protesto contra o regime serão "massacrados" pelo exército do Irão. Mesmo assim, continuam a incitar à revolta.
A informação, revelada pelo The Washington Post através de um telegrama do Departamento de Estado norte-americano, mostra como Israel e os Estados Unidos estão dispostos a sacrificar vidas civis iranianas para os seus objectivos geopolíticos.
O telegrama que revela a hipocrisia
O documento, que circulou pela embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém na sexta-feira passada, transmitia uma avaliação israelita sobre a situação no Irão. Resumia também as últimas reuniões entre responsáveis norte-americanos e membros seniores do Conselho de Segurança Nacional de Israel.
Segundo Tel Aviv, o Irão "não está a ceder" e está disposto a "lutar até ao fim", apesar da morte do seu líder supremo Ali Khamenei e dos contínuos bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel.
No telegrama, Israel admitiu que esperava que o assassinato de Khamenei tivesse gerado "mais caos" dentro do regime. Isso não aconteceu e, apesar dos ataques, o Irão continua a lançar mísseis balísticos e drones.
A memória dos massacres anteriores
No início do ano, o povo iraniano já tinha saído às ruas em protesto contra o regime. A resposta foi brutal: o exército matou milhares de pessoas durante as manifestações. Se o mesmo acontecer agora, os responsáveis israelitas acreditam que "as pessoas vão ser massacradas" porque a Guarda Revolucionária do Irão "tem a vantagem".
Conhecendo este cenário de terror, os mesmos responsáveis pediram aos Estados Unidos para preparar apoio para as manifestações, caso venham a acontecer. Uma posição que revela total desprezo pela vida dos manifestantes iranianos.
Apelos cínicos à revolta
Benjamin Netanyahu tem sido claro nos seus apelos: "Israel vai atacar com força o regime de terror e vai criar condições que vão permitir que o corajoso povo iraniano se livre do jugo deste regime homicida".
Na semana passada, repetiu nas redes sociais: "Esta é uma oportunidade única na vida para removerem o regime aiatola e recuperarem a vossa liberdade. Têm de agir".
Do lado norte-americano, Donald Trump inicialmente pediu que os iranianos "derrubassem" o seu governo, mas depois reconheceu o perigo: "Eles têm literalmente pessoas nas ruas com metralhadoras, disparando contra as pessoas que querem protestar. Acho mesmo que será um grande obstáculo para quem não tem armas".
A guerra que se alarga
Os Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva contra o Irão no passado dia 28 de fevereiro, que matou Ali Khamenei e vários outros altos responsáveis iranianos. Desde então, o conflito generalizou-se, incluindo países do Médio Oriente como o Líbano, levando já à morte de mais de mil pessoas.
Esta revelação mostra como as potências ocidentais estão dispostas a usar o sofrimento dos povos como arma de guerra, incitando revoltas que sabem serem suicídias para quem nelas participa.