Incêndios na fronteira: Eixo Atlântico propõe centro conjunto luso-espanhol e pede ajuda a Seguro para desbloquear TGV
O Eixo Atlântico quer criar um centro de coordenação único entre Portugal e Espanha para prevenir e combater incêndios nas zonas fronteiriças. A proposta foi apresentada este sábado ao Presidente da República, António José Seguro, numa reunião em Viana do Castelo. O secretário-geral da entidade, Xoan Mao, aproveitou o encontro para pedir também a intervenção do chefe de Estado junto do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, para desbloquear o projeto do TGV entre os dois países.
Xoan Mao explicou que a ideia é que a região Norte e a Galiza possam ajudar-se mutuamente no combate aos fogos, partilhando meios e recursos. A liderança do centro seria rotativa, alternando entre um responsável português e um espanhol.
“O que pedimos é que nas zonas de fronteira, numa área de 50 a 100 quilómetros, haja um centro de coordenação único dos dois países para gerir os incêndios”, afirmou.
Porque é que um centro conjunto é urgente?
O objetivo não é apenas ajudar quando o incêndio já está em curso, mas sim atuar logo no início, quando o fogo ainda pode ser controlado. Xoan Mao sublinhou que os incêndios propagam rapidamente quando não são travados cedo, daí a importância de haver recursos e meios prontos a intervir.
“O que temos de fazer é traçar uma estratégia muito mais ampla pensando, pelo menos, a uma década porque os incêndios vão piorar”, alertou.
O secretário-geral do Eixo Atlântico apontou ainda três problemas nos fogos: a prevenção, o combate e a forma como se combate.
“A água cai e apaga o incêndio, mas depois o que acontece com essa água? Essa água arrasta a natureza morta e lodos e causa, depois, inundações”, denunciou.
TGV: Seguro pode ser a chave para desbloquear a ligação?
No mesmo encontro, Xoan Mao pediu a António José Seguro que fale com Pedro Sánchez para desbloquear os projetos de mobilidade, nomeadamente o TGV.
“O Presidente da República Portuguesa sempre mostrou o seu apoio a Sánchez e Sánchez tem boa impressão dele. Portanto, entendemos que quem pode influir é o Presidente da República Portuguesa”, disse aos jornalistas.
Xoan Mao reconheceu que o TGV não é uma competência executiva do Presidente da República, mas justificou o pedido pela relação “muito complicada” entre os governos de Portugal e Espanha.
“A relação entre o presidente do governo português e o presidente do governo espanhol não é má, mas é cordial e não avança tanto como avançava anteriormente”, revelou.
O secretário-geral do Eixo Atlântico recordou ainda que, quando Espanha proibiu o uso de bases militares a aeronaves americanas envolvidas na guerra do Irão ou durante a entrada massiva de migrantes em Ceuta, o Governo português teve uma posição que “não foi contra, mas também não foi tão a favor como, por exemplo, era na época de António Costa”.
Além disso, Xoan Mao contou que a relação entre os ministros das Infraestruturas “não é uma relação porque não falam”. Pela primeira vez, a última cimeira ibérica não tinha questões de obras públicas na agenda, o que o preocupa.
“O TGV é um tema fulcral porque vai conectar toda a faixa marítima ibérica”, concluiu.
António José Seguro ouviu as propostas, mas, dada a sua função, não pôde prometer nada.