Galp ameaça empregos enquanto escolas ficam sem professores
Enquanto a petrolífera portuguesa Galp admite abertamente que poderá "redistribuir trabalhadores" numa parceria com a espanhola Moeve, 23 mil crianças portuguesas continuam sem professores nas salas de aula. Duas realidades que espelham as prioridades de um país onde os lucros empresariais pesam mais que o direito à educação.
Galp prepara reestruturação que afeta trabalhadores
A Galp não esconde as suas intenções: a criação de duas empresas em parceria com a espanhola Moeve implicará a "redistribuição de trabalhadores", um eufemismo conhecido para despedimentos ou precarização laboral. A petrolífera garante que 70% do negócio permanecerá na empresa, mas os trabalhadores sabem bem o que significa este tipo de reestruturações.
As negociações com os acionistas da Moeve, incluindo o fundo soberano Mubadala e o grupo Carlyle, preveem duas novas empresas: a RetailCo para distribuição de combustíveis e a IndustrialCo para refinação, onde a Galp ficará com apenas 20% do capital. Mais uma vez, os interesses financeiros sobrepõem-se aos direitos dos trabalhadores.
Crise na educação: 23 mil alunos abandonados
Enquanto as empresas fazem os seus jogos financeiros, a educação pública agoniza. A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) revela números chocantes: cerca de 23 mil alunos continuam sem todos os docentes atribuídos, numa situação que se agrava ano após ano.
Estão por preencher 363 horários, especialmente no 1º Ciclo, onde turmas inteiras ficaram sem professor titular desde o início do ano letivo. Nas últimas duas semanas, foram lançados 889 horários que afetaram até 62 mil alunos. A solução? Coordenadores a assumir turmas, salas com mais de 30 alunos e estudantes de diferentes anos juntos na mesma sala.
Esta é a realidade da educação pública: remendos e soluções de emergência enquanto se cortam investimentos e se precarizam as condições de trabalho dos professores.
Centeno candidato a vice-presidente do BCE
No meio desta crise social, Mário Centeno surge como favorito para vice-presidente do Banco Central Europeu, ao lado do letão Mārtiņš Kazāks. Os banqueiros portugueses elogiam as suas "credenciais", esquecendo-se certamente das políticas de austeridade que ajudou a implementar.
A decisão final caberá ao Conselho Europeu, tendo em conta "equilíbrios geográficos e políticos". Mais uma vez, as decisões que afetam a vida dos povos europeus são tomadas em gabinetes fechados, longe do escrutínio democrático.
CTT preparam expansão
João Bento deixará a liderança dos CTT após quase sete anos, com o objetivo de tornar a empresa "líder ibérica em logística de comércio eletrónico até 2028". O ainda CEO admite que será "improvável" que os CTT não estejam presentes em pelo menos mais uma geografia até 2028.
Vazio legal favorece poluição
Um vazio legal na incorporação de biocombustíveis está a permitir práticas duvidosas, alertou a Associação Portuguesa dos Produtores de Bioenergia. Sem metas obrigatórias em vigor, aumenta o risco de maior poluição, colocando em causa os compromissos ambientais de Portugal numa altura em que a UE aponta para 29% de incorporação até 2030.
Mais uma vez, a falta de regulamentação adequada abre portas aos interesses económicos em detrimento do ambiente e da saúde pública.