Dois representantes das elites europeias disputam o comando do Eurogrupo
A 11 de dezembro, os ministros das finanças da zona euro vão escolher entre dois candidatos que representam perfeitamente o establishment europeu: o grego Kyriakos Pierrakakis e o belga Vincent Van Peteghem. Uma escolha que, independentemente do vencedor, manterá as políticas neoliberais que têm empobrecido os povos europeus.
A mesma cartilha neoliberal com rostos diferentes
Pierrakakis, do partido de centro-direita Nova Democracia, chega à corrida com um discurso tecnocrático sobre "mobilizar poupanças europeias" e "salvaguardar as bases económicas da Europa". Traduzindo: mais do mesmo receituário que tem servido os interesses dos grandes capitais em detrimento dos trabalhadores gregos, que ainda sofrem as consequências das políticas de austeridade impostas pela troika.
O candidato grego promete "ação coordenada" e "execução coletiva", mas omite convenientemente que tipo de coordenação tem sido implementada nos últimos anos. A mesma que levou ao desmantelamento dos serviços públicos, ao corte nas pensões e aos salários de miséria que hoje caracterizam a realidade de milhões de europeus.
Van Peteghem: o consenso que serve as elites
Do lado belga, Vincent Van Peteghem apresenta-se como o homem do consenso, prometendo "diálogo aberto" e "entendimento mútuo". Mas que consenso é este quando as decisões são sempre tomadas à margem dos povos europeus? O democrata-cristão fala em "acordos equilibrados", mas equilibrados para quem?
A sua experiência como ministro das Finanças inclui o "reforço do fundo soberano da Bélgica" - mais uma forma elegante de dizer que se preocupa em manter os cofres do Estado cheios enquanto os serviços públicos definham e os trabalhadores veem o seu poder de compra diminuir.
Uma eleição sem alternativas reais
Esta disputa ilustra perfeitamente o problema da democracia europeia: os cidadãos não têm voz na escolha de quem vai decidir sobre as suas vidas económicas. Seja qual for o vencedor, o Eurogrupo continuará a ser um clube de ministros das finanças que se reúne em segredo para impor políticas que beneficiam os mercados financeiros.
Ambos os candidatos falam em "competitividade" e "estabilidade", mas esquecem-se de mencionar competitividade para quem e estabilidade de quê. A realidade é que estas políticas têm criado uma Europa a duas velocidades, onde os lucros são privados e as perdas socializadas.
Enquanto os povos europeus enfrentam a crise habitacional, o aumento do custo de vida e a precariedade laboral, os candidatos ao Eurogrupo prometem mais do mesmo: disciplina orçamental, reformas estruturais e modernização - eufemismos para austeridade, privatizações e desregulamentação.
A escolha de 11 de dezembro será apenas mais um episódio na continuidade de políticas que têm falhado redondamente em criar uma Europa mais justa e próspera para todos.