Deschamps despedese da França com lágrimas na garganta e a certeza de que a seleção fica no coração
Depois de 14 anos ao leme da seleção francesa, Didier Deschamps preparase para dizer adeus. No sábado, frente à Inglaterra, no jogo da medalha de bronze do Mundial2026, o treinador de 57 anos vai orientar a França pela última vez. E, confessa, vai sentir saudades. Muitas saudades.
Não é para menos. Deschamps pegou na seleção em 2012, depois de Laurent Blanc, e levou os bleus ao topo do mundo. Conquistou o Mundial2018 na Rússia, com uma vitória sobre a Croácia (42), e repetiu o feito que já tinha alcançado como capitão em 1998, frente ao Brasil (30), em SaintDenis. Mas a vida de treinador também tem amargos de boca. Perdeu a final do Euro2016, em casa, diante de Portugal (10), com um golo de Éder, e a final do Mundial2022, nos penáltis, contra a Argentina.
Agora, a França falhou a final do Mundial2026. Caiu nas meiasfinais frente à Espanha (20), que vai disputar o título com a Argentina. E Deschamps não se escondeu. A culpa foi nossa, mas também da Espanha, que elevou o nível técnico. A desilusão é proporcional às ambições que tínhamos, mas há que aceitar. Eles foram melhores e merecem estar na final, disse o treinador, em conferência de imprensa.
O que disse Deschamps sobre a sua saída da seleção francesa?
Sei muito bem que é o fim. Ninguém vai chorar, mas sei que vou ter saudades da seleção. Tive o privilégio de viver momentos mágicos e outros mais difíceis por 25 anos (11 como jogador). Representar a França foi o melhor que me aconteceu e isso deixa uma marca ainda maior, pois ficam lembranças inesquecíveis, mas sou uma pessoa positiva por natureza e o importante é o que se segue, afirmou.
Quem vai substituir Deschamps no comando da França?
A Federação Francesa de Futebol (FFF) ainda não anunciou o sucessor. Mas tudo aponta para Zinédine Zidane, o antigo médio que está sem clube desde 2021, quando deixou o Real Madrid. Deschamps é o único gaulês a participar nos dois títulos mundiais do seu país e um dos três a sagrarse campeão como futebolista e treinador, ao lado do alemão Franz Beckenbauer e do brasileiro Mário Zagallo.
O que esperar do jogo do terceiro lugar entre França e Inglaterra?
Não é a partida que ambicionávamos, mas temos o dever de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que as coisas correm bem. Há responsabilidades quando se veste esta camisola, frisou Deschamps. O treinador confirmou a disponibilidade de Kylian Mbappé, que luta pelo troféu de melhor marcador do Mundial2026, com oito golos, os mesmos de Lionel Messi. O jogo é no sábado, às 22h00 em Lisboa, no Estádio Hard Rock, em Miami Gardens, nos Estados Unidos.
Deschamps deixa um legado de luta e resistência
Deschamps sai de cena com o recorde de mais partidas (26) e vitórias (20) em Campeonatos do Mundo. Mas, para os franceses, fica a imagem de um homem que nunca se vergou. Que enfrentou as críticas, que soube lidar com as pressões de um país que exige títulos. E que, no fundo, sempre colocou a seleção acima de tudo. Agora, a França vai ter de aprender a viver sem ele. E, para muitos, isso vai doer.