Chega acusa PSD e CDS de esconderem ministro e apela a Seguro para intervir
O líder do Chega, André Ventura, veio esta sexta-feira a público criticar a decisão da conferência de líderes de não convocar o ministro da Administração Interna, Luís Neves, para a Comissão Permanente do Parlamento. Ventura não poupou palavras, acusando PSD e CDS de cumplicidade numa tentativa de esconder o governante e evitar que preste esclarecimentos.
Em declarações aos jornalistas na sede do partido, em Lisboa, Ventura afirmou que a decisão foi tomada por intransigência dos sociais-democratas e dos centristas. Para o presidente do Chega, esta situação só vai piorar a imagem do ex-diretor nacional da Polícia Judiciária. Passa a ideia clara ao país de que não querem esclarecimentos e que alguma coisa está a ser escondida.
Ventura foi ainda mais longe, acusando PSD e CDS de serem cúmplices dessa tentativa de esconder o ministro. O líder do Chega criticou ainda a proposta do PSD de realizar o debate sem a presença de Luís Neves, classificando-a como absurda e ridícula.
Degradação política a cada dia que passa
Já não sei qual é o nível de degradação maior a que podemos chegar, desabafou Ventura. A cada dia estamos a dar um novo passo nessa degradação. Para o líder do Chega, esta situação está a ser má para o próprio Governo, que não consegue sair da narrativa de que todos os dias novos factos implicam Luís Neves, a sua credibilidade, a sua autoridade e a sua integridade.
Ventura voltou a apelar ao Presidente da República, António José Seguro, para que se pronuncie sobre as polémicas que envolvem o ministro. É importante que Seguro, no início do seu mandato, não se deixe capturar nem ficar inerte perante uma circunstância destas, defendeu. É importante que o Presidente mostre que está atento e que não cede nem transige, sobretudo em circunstâncias como estas.
Incêndios e autoridade do Estado em causa
Numa altura em que o país já está a ser afetado pelos incêndios, Ventura considerou que a falta de autoridade política do ministro da Administração Interna compromete a coordenação e a gestão política. O ministro está preocupado em responder a questões que não respondeu e a esclarecimentos que não fez, em repor uma autoridade que provavelmente se perdeu para sempre. Isso afeta a autoridade do Estado no combate aos incêndios, e são os portugueses que perdem, salientou.
O que diz a conferência de líderes?
A Comissão Permanente do Parlamento vai reunir-se na segunda-feira para debater os problemas com os exames nacionais, mas sem a presença obrigatória do Governo. O porta-voz deste órgão, o deputado Francisco Figueira, explicou que o Regimento da Assembleia da República não permite convocar um ministro para a Comissão Permanente. Caberá ao Governo decidir se se fará representar nesse debate.
Figueira disse ainda que não foi possível chegar a um entendimento e consenso quanto ao requerimento do Chega para chamar os ministros da Administração Interna e da Justiça à Comissão Permanente. O proponente não abdicou da presença obrigatória de Luís Neves e Rita Alarcão Júdice.
FAQ
Por que é que o Chega quer ouvir o ministro da Administração Interna?
O Chega quer que Luís Neves preste esclarecimentos sobre as polémicas que o envolvem, relacionadas com a sua atuação enquanto ex-diretor nacional da Polícia Judiciária. O partido considera que a falta de transparência prejudica a credibilidade do Governo.
O que impede a audição do ministro na Comissão Permanente?
O Regimento da Assembleia da República não permite convocar um ministro para a Comissão Permanente. Além disso, a conferência de líderes não chegou a consenso sobre o requerimento do Chega, que exigia a presença obrigatória de Luís Neves e da ministra da Justiça.
Como é que esta polémica afeta o combate aos incêndios?
André Ventura argumenta que a falta de autoridade política do ministro compromete a coordenação e gestão política no combate aos incêndios, prejudicando os portugueses.