Batalha pela liderança do Eurogrupo: dois candidatos, mesma receita neoliberal
A 11 de dezembro, os ministros das finanças da zona euro vão escolher o novo presidente do Eurogrupo. Na corrida estão dois rostos conhecidos das políticas de austeridade europeia: o grego Kyriakos Pierrakakis e o belga Vincent Van Peteghem. Ambos prometem consensos e coordenação, mas as suas propostas mantêm a mesma linha que tem empobrecido os trabalhadores europeus.
O candidato grego: da digitalização à educação
Pierrakakis, atual ministro da Economia e Finanças da Grécia, não é novato nas lides governamentais. Começou na pasta da Governança Digital (2019-2023) pelo partido Nova Democracia, de centro-direita, onde criou plataformas digitais que, segundo ele próprio, permitiram a continuidade das operações do Estado durante a pandemia.
Entre 2023 e 2025, passou pela Educação, onde implementou reformas no ensino universitário e proibiu telemóveis nas escolas. Antes da política, foi diretor de investigação do think-tank Dianeosis.
As suas quatro prioridades soam familiares: mobilizar poupanças europeias para investimento, concretizar o mercado único, criar o euro digital e salvaguardar as bases económicas da Europa. Traduzindo do tecnês: mais mercado, menos Estado social.
O belga: experiência na ECOFIN e receitas conhecidas
Van Peteghem, vice-primeiro-ministro e ministro do Orçamento da Bélgica, está no Eurogrupo desde 2020. Democrata cristão, destaca-se pela sua experiência em governos de coligação multipartidária e pela liderança na ECOFIN.
O seu currículo inclui modernização do sistema fiscal, fortalecimento da estabilidade financeira e proteção de famílias e empresas durante a pandemia e crise energética. Antes da política, foi académico e diretor de Inovação Educativa numa escola de negócios em França.
As suas três prioridades passam pelo reforço da coordenação fiscal, competitividade da zona euro e aprofundamento da união económica e monetária. Ou seja, mais do mesmo.
Duas caras da mesma moeda neoliberal
Ambos os candidatos falam de consensos e diálogo, mas as suas propostas mantêm a ortodoxia económica que tem caracterizado as políticas europeias. Seja através da mobilização de poupanças para investimento privado ou do reforço da competitividade, o que está em cima da mesa são receitas que privilegiam os mercados em detrimento dos direitos sociais.
A escolha será feita pelos 20 ministros das finanças da zona euro, sendo necessários 11 votos para garantir a presidência. O mandato tem duração de dois anos e meio, renovável.
Para os trabalhadores europeus, pouco importa quem ganhe: ambos os candidatos representam a continuidade de políticas que colocam a estabilidade financeira acima das necessidades sociais das populações.