Ronaldo, o pugilista que não quer pendurar as luvas: até quando vai aguentar?
Cristiano Ronaldo está a aproximar-se do fim da carreira, mas, como um velho pugilista, continua convencido de que ainda tem mais um combate para vencer. A comparação é do jornalista britânico Geoff Shreeves, que na CBS Sports, esta quarta-feira, analisou o futuro do craque português na seleção nacional e o papel que Jorge Jesus terá na gestão do capitão.
O que disse o jornalista sobre o futuro de Cristiano Ronaldo?
Shreeves, que conhece bem o mundo do futebol, traçou um paralelo entre CR7 e os lutadores de boxe que teimam em não desistir.
“A maioria dos atletas, e o expoente máximo disso são os pugilistas, quando se aproximam do fim da carreira, acham sempre que ainda têm mais um combate pela frente. Todos acham que ainda aguentam mais um combate. O Cristiano Ronaldo está, claramente, a aproximar-se do final da sua carreira e quer jogar enquanto puder”, afirmou.
Para o jornalista, a grande questão não é se Ronaldo tem ou não qualidade para continuar, mas sim como vai reagir quando o treinador lhe disser que já não vai ser titular em todos os jogos.
“Se o treinador lhe disser: 'Olha, já não vais jogar tanto. Vou utilizar-te de outra forma, vou gerir a tua utilização'. Isto acontece tanto ao nível de clubes como de seleções em todo o mundo. É uma questão de saber gerir o jogador: fazê-lo sentir que continua a ser o tal, a figura principal”, explicou.
Como pode Jorge Jesus gerir o capitão?
Shreeves sublinhou que a resposta de Ronaldo será determinante.
“Trata-se de como ele reage à conversa. Se o treinador lhe disser: 'Vais continuar a ter um papel fundamental nesta equipa. Continuas a ser o amuleto, a figura de proa, o homem a quem todos recorrem. Podes é não ter exatamente os mesmos minutos em campo'. Para isto dar certo, são precisas duas coisas: o Ronaldo aceitar esse papel e a atitude dele com a equipa fora de campo”, defendeu.
O jornalista recorreu ainda a uma conversa que teve com Arsène Wenger, antigo treinador do Arsenal, sobre um avançado que foi dispensado por não aceitar o banco de suplentes.
“Lembro-me de perguntar ao Arsène Wenger sobre um grande goleador: 'Por que razão o dispensou?' e ele respondeu: 'Um tipo fantástico quando jogava, mas insuportável quando ficava no banco'. Por isso, depende inteiramente do Ronaldo. Se ele disser ao treinador: 'Certo, percebo e aceito. Agora, como parte do meu legado, vou ajudar os mais jovens'. É uma questão de reciprocidade”, alertou, lembrando que já existe uma boa relação entre Jesus e Ronaldo, construída no Al Nassr.
Ronaldo responde aos críticos: “Só com uma caçadeira”
Portugal defronta o País de Gales esta quinta-feira, no Estádio José Alvalade, às 19h45, no arranque da Liga das Nações. Jorge Jesus confirmou que Ronaldo será titular, e o próprio jogador falou aos jornalistas, garantindo que se sente apto para ajudar a seleção. Mas foi a resposta aos críticos que roubou as atenções.
“Sinto que os portugueses têm um sentimento especial por mim, e compreendo que alguns canais gostem de me atacar e que me tentam matar, mas isso já há vários anos, mas não têm hipótese nenhuma, só com uma caçadeira. E mesmo assim... ainda me desvio da bala”, atirou, em conferência de imprensa.
Quanto ao fim da carreira, Ronaldo não tem planos.
“Honestamente, eu não sei quando vou acabar. Gostava de responder a isso, mas sinceramente não sei. A partir dos meus 30 e muitos anos vivo o momento. Quando parar, eu aviso o mundo que isso vai acontecer”, rematou.
Até quando vai Ronaldo aguentar o ritmo?
A pergunta fica no ar. O que é certo é que, aos 40 anos, Ronaldo continua a ser a figura central da seleção e do debate público. Os críticos que o dão como acabado vão tendo respostas dentro e fora do campo, mas a verdade é que a gestão do final de carreira vai ser o próximo grande desafio, tanto para o jogador como para Jorge Jesus. E, como nos ringues, só o tempo dirá se o campeão sabe a hora de pendurar as luvas.