MotoGP: Novas regras na grelha de partida protegem pilotos mas tiram a piada às ultrapassagens
O Mundial de MotoGP está de trombas. As novas regras do grid de partida, que entraram em vigor no Grande Prémio da Holanda e foram testadas a sério em Sachsenring, estão a dividir opiniões no paddock. Aumentar o espaço entre as motos em três metros e proibir o dispositivo que controla o wheelie pode ter tornado as largadas mais seguras, mas os pilotos queixam-se: ultrapassar nos primeiros metros ficou muito mais difícil.
O que mudou nas partidas do MotoGP?
A Federação Internacional de Motociclismo (FIM) decidiu alargar o espaçamento entre os pilotos na grelha de partida. Uma medida que se aplica ao MotoGP, Moto2, Moto3 e às corridas Sprint. O objetivo é claro: evitar aqueles arranques loucos em que as motos se tocam e os acidentes são quase certos. Ao mesmo tempo, proibiram o dispositivo que impede a roda da frente de levantar, obrigando os pilotos a terem mais cuidado na hora de largar.
O que dizem os pilotos?
Diogo Moreira, da LCR Honda, foi direto ao assunto: 'É melhor para a segurança, sem dúvida. Mas ultrapassar nos primeiros metros tornou-se definitivamente mais difícil. Isto afeta todos de forma igual, por isso agora garantir uma partida na primeira linha é mais crucial do que nunca, especialmente em circuitos apertados como Sachsenring.'
Pedro Acosta, da KTM, conhecido pelos seus arranques agressivos, reconheceu os benefícios mas lamentou as consequências: 'Esta é a primeira mudança na regra de segurança que realmente melhora a proteção. Com um bom arranque, pode-se ultrapassar os pilotos na sua fila na primeira curva, mas passar os pilotos que começam uma fila à frente é agora muito mais difícil. Agora, trata-se principalmente das zonas de travagem. O importante é que na curva um, pode ter um ou dois pilotos ao seu lado, e não cinco como antes.'
Brad Binder, também da KTM, foi na mesma linha: 'Não consigo ultrapassar tantos pilotos como antes, mesmo com um grande arranque. Ultrapassar duas filas é quase impossível agora, apenas uma. Em termos de segurança, esta é definitivamente a decisão certa. Vamos ver se é o programa certo no geral. Recuperar posições no início tornou-se muito mais difícil.'
Alex Márquez, da Gresini, foi ainda mais duro: 'É significativamente mais difícil recuperar posições no início. Sem um grande erro de alguém, é quase impossível estar ao lado deles na curva um.'
Fabio Quartararo, atual campeão do mundo pela Yamaha, mostrou-se mais moderado: 'Para mim, é mais ou menos o mesmo que antes. Temos um pouco mais de espaço agora, mas isso não faz uma grande diferença. Se há mais espaço, tentamos encontrar brechas na travagem. Portanto, não ajuda muito, mas também não é um grande problema.'
Jorge Martín, da Aprilia, elogiou a margem de reação melhorada: 'A principal diferença é ter mais espaço para reagir quando algo acontece. Nada aconteceu na curva um desta vez, por isso provavelmente é uma boa mudança.'
Segurança ou espetáculo? O dilema do MotoGP
Os pilotos são unânimes num ponto: a segurança melhorou. Mas o preço a pagar é uma primeira volta mais tática e menos agressiva, com menos oportunidades de ultrapassagem. A qualificação passou a ser ainda mais decisiva. Quem larga atrás, fica preso. A questão que fica no ar é se estas regras vão conseguir equilibrar a proteção dos pilotos com o espetáculo que os fãs querem ver. Por enquanto, a resposta do paddock é clara: a grelha de partida mudou para sempre.