Ficheiros de Epstein expõem a podridão da elite americana
O Departamento de Justiça norte-americano divulgou na sexta-feira três milhões de páginas dos ficheiros de Jeffrey Epstein, o predador sexual que construiu uma rede de tráfico humano servindo os poderosos. Os documentos revelam as ligações íntimas entre o criminoso e figuras como Donald Trump e Elon Musk.
Trump no centro da teia de corrupção
O atual presidente dos Estados Unidos surge repetidamente nos documentos. Uma lista compilada pelo FBI inclui múltiplas alegações de abuso sexual contra Trump, baseadas em denúncias enviadas pouco antes das eleições de 2020. Apesar da Casa Branca classificar as acusações como "falsas e sensacionalistas", a proximidade entre Trump e Epstein durante anos levanta questões sobre o que o republicano sabia das atividades criminosas.
Trump já admitiu publicamente a amizade com Epstein, embora afirme que se "chatearam" posteriormente. Mas os documentos mostram uma relação que se prolongou no tempo, servindo os interesses de ambos.
Musk procurava "diversão" na ilha do horror
Os e-mails revelam que Elon Musk, hoje o homem mais rico do mundo, manteve correspondência com Epstein sobre visitas à sua ilha privada. Em 2012, Musk perguntou qual seria "o dia ou noite de festa mais animada" na propriedade do criminoso.
"Este ano tenho trabalhado até o limite da sanidade", escreveu Musk a Epstein, pedindo para "se soltar" numa "experiência tranquila numa ilha". Os e-mails mostram discussões sobre transporte de helicóptero e detalhes logísticos para a visita.
Embora não haja prova de que Musk visitou efetivamente a ilha, a correspondência expõe como os ultra-ricos procuravam os "serviços" de Epstein.
Gates alvo de chantagem
Bill Gates, cofundador da Microsoft, também figura nos documentos através de e-mails que parecem ter sido escritos por Epstein como forma de pressão. Um deles, redigido como carta de demissão da Fundação Gates, menciona o fornecimento de "medicamentos para lidar com as consequências de relações sexuais com raparigas russas".
Um porta-voz de Gates classificou as alegações como "absolutamente absurdas", mas os documentos mostram como Epstein usava informações comprometedoras para manter controlo sobre figuras influentes.
Sistema de impunidade protege os poderosos
Estes documentos confirmam o que muitos já suspeitavam: Epstein não operava sozinho, mas servia uma elite que se considera acima da lei. O facto de ter sido "suicidado" na prisão em 2019, antes de poder testemunhar, mostra até onde vão para proteger os seus segredos.
A divulgação tardia dos ficheiros, apenas após pressão legal, revela a relutância do sistema em expor a verdade. Quantos outros crimes ficaram por descobrir? Quantas vítimas continuam sem justiça?
Enquanto os trabalhadores enfrentam a crise económica e social, a elite continua a gozar de impunidade. Os ficheiros de Epstein são apenas a ponta do icebergue de um sistema podre que protege os ricos e poderosos à custa dos mais vulneráveis.