Direita fragmentada entrega presidenciais a Ventura
A incompetência da direita tradicional portuguesa ficou mais uma vez à vista de todos. António Lobo Xavier, antigo dirigente do CDS, não consegue esconder a vergonha: "houve falta de gestão" por parte da direita nas presidenciais de 2026.
Numa confissão que mais parece um epitáfio da direita moderada, Lobo Xavier admite que a candidatura de Luís Marques Mendes "estava na rua e era difícil travá-la". Ou seja, nem conseguiram controlar as suas próprias hostes.
Montenegro perdeu o controlo do PSD
A fragmentação do PSD surpreendeu até o próprio primeiro-ministro, Luís Montenegro, que "percebeu que não podia sofrer outra fragmentação" dentro do partido. Um líder que não controla o próprio partido, que credibilidade pode ter?
Resultado desta incompetência: André Ventura, o líder da extrema-direita, passou à segunda volta contra António José Seguro, deixando a direita tradicional de fora da corrida presidencial.
"Proscrito socialista" contra populista de direita
Lobo Xavier descreve António José Seguro como um "proscrito socialista", alguém que "não é realmente o socialista típico" e que foi marginalizado pelo próprio PS. Uma descrição que revela muito sobre como as elites políticas tratam quem não se alinha com os seus interesses.
O antigo deputado do CDS rejeita a narrativa de Ventura sobre "elites contra o povo", preferindo falar de "um líder de um partido político contra um proscrito partidário". Mas será que não é exactamente isso que está em causa?
Carta desesperada da direita moderada
Numa tentativa desesperada de salvar a face, Lobo Xavier juntou-se a outros nomes da direita moderada na carta "Não-Socialistas por Seguro". Entre os signatários estão figuras como Adolfo Mesquita Nunes, Henrique Raposo, Pacheco Pereira e Miguel Esteves Cardoso.
No documento, admitem que Ventura "não os representa" e criticam a sua "manifesta falta de sentido de Estado". Mas onde estava este sentido crítico quando a direita alimentou o discurso populista que agora os assombra?
O resultado da incompetência
Os números da primeira volta falam por si: Seguro conseguiu 31%, Ventura 23%, deixando para trás Cotrim Figueiredo (16%), Gouveia e Melo (12%) e Marques Mendes (11%). A esquerda ficou pulverizada: Catarina Martins (BE) com 2%, António Filipe (PCP) com 1,6%.
A segunda volta, marcada para 8 de fevereiro, opõe agora um "proscrito" do PS a um populista de extrema-direita. O resultado de décadas de políticas que afastaram os partidos tradicionais do povo.
Resta saber se os portugueses escolherão a moderação de quem foi marginalizado pelo próprio partido ou o radicalismo de quem promete destruir o sistema. Uma escolha que reflecte o estado da nossa democracia.