O empate entre Benfica e Vitória de Guimarães, na Luz, deixou um rasto de polémica que vai muito além do resultado. A análise aos lances capitais do encontro, disputado a 12 de outubro, mostra um conjunto de decisões que levantam sérias dúvidas sobre o critério da equipa de arbitragem, com especial destaque para um lance na área dos vimaranenses que o VAR preferiu ignorar.
O penálti que ficou por marcar sobre Leandro Barreiro
Aos 9 minutos, com a bola já fora da zona de ação, Toni Borevkovic empurrou Leandro Barreiro com ambas as mãos, acertando no ombro e no pescoço do jogador do Benfica, derrubando-o. Uma infração clara, desnecessária e factual, que só poderia ter sido sancionada com recurso ao vídeoárbitro.
A UEFA tem uma recomendação para lances em que a bola não está jogável: infrações não intencionais ou imprudentes não devem ser sancionadas. Mas este caso é diferente. Não houve acidente, houve uma decisão deliberada de travar o adversário à força. Na minha opinião, este lance justificava penálti e a intervenção do VAR era obrigatória.
Amarelos bem mostrados e um critério que falhou no final
Nem tudo foi mau na arbitragem. Aos 17 minutos, o cartão amarelo a Tony Strata por agarrar Gianluca Prestianni foi bem aplicado. O mesmo se diga da entrada negligente de Miguel Nogueira sobre o avançado argentino aos 33 minutos, e da obstrução de Borevkovic sobre Prestianni à entrada da área aos 49 minutos.
Aos 52 minutos, Leandro Barreiro foi negligente ao acertar com a sola no joelho de Samu, e o amarelo foi a decisão correta. Tomás Araújo também viu bem o cartão por travar Strata aos 55 minutos, e Samu foi justamente advertido aos 57 minutos por derrubar Schjelderup sem bola.
O erro grosseiro no cartão a Thiago Balieiro
Mas aos 73 minutos, a arbitragem voltou a falhar. O cartão amarelo mostrado a Thiago Balieiro foi uma decisão incorreta. O jogador do Vitória esticou a perna para disputar a bola, que estava disponível tanto para ele como para Pavlidis. Houve apenas um choque de pés, fruto do movimento natural de ambos os jogadores. Não houve pisão, rasteira ou entrada fora de tempo. Foi um lance de jogo, nada mais.
Os minutos de compensação que ficaram aquém
Ao intervalo, o árbitro deu dois minutos de tempo extra, o que até fazia sentido face às incidências da primeira parte. Mas aos 90 minutos, a história foi outra. Com seis paragens para substituições, um golo e cinco cartões amarelos, dar apenas três minutos de compensação foi claramente escasso. O mínimo aceitável seriam cinco minutos.
E ainda houve um cartão por mostrar. Aos 90+1 minutos, João Mendes fez uma entrada em tacle deslizante sobre Sudakov, com a sola e os pitons, acertando em cheio no pé direito do jogador ucraniano do Benfica. Um lance que pedia amarelo e que ficou impune.
No final, fica a sensação de que a arbitragem condicionou um jogo que podia ter tido outro desfecho. E os adeptos, esses, continuam a perguntar: até quando vamos ter de aturar erros que mudam o rumo dos jogos?
